Grupo CF/2017 promove Conferência Meio Ambiente, Lixo Urbano e Eletrônico em Santa Rita do Sapucaí

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A noite de quarta-feira, 10 de maio, ficou marcada na comunidade santa-ritense pela realização da Conferência Meio Ambiente, Lixo Urbano e Eletrônico, promovida pelo Grupo CF/2017, que recebeu centenas de pessoas no Teatro Inatel para a palestra do Prof. Dr. Maurício Waldman, especialista em Meio Ambiente e Lixo. O evento faz parte das ações propostas pela Campanha da Fraternidade 2017, de iniciativa da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), que este ano propôs gestos concretos para o cultivo do meio ambiente com o tema “Os biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema “Cultivar e guardar a criação”.

Em atenção ao chamado da CNBB, o Grupo CF/2017 de Santa Rita do Sapucaí – Grupo Campanha da Fraternidade 2017 – reuniu leigos voluntários para promover ações de conscientização e sensibilização da comunidade. Diversas atividades já foram desenvolvidas, como caminhada ecológica, plantios de mudas na cidade e, agora, a Conferência que contou com patrocínio da Cooper Rita, Sindvel, JFL Alarmes, Lojas Schimidt e Mattos Calçados. Conta com apoio do Inatel, Sebrae, Tipografia Santa Rita, EcoShower, Real Palace Hotel, Supermercados Alvorada, Floricultura do Vale, Rádios D2FM, Difusora AM e Santa Rita FM, WebTV do Santuário, Supermercados Maristela, Impact Brasil, Portal Valedaeletronica.com, Emater, Marreco´s Tour Viagem e Turismo, Escola Estadual Luiz Pinto de Almeida e os Grupos de Jovens Jura, Kairós, Emaús, UPA e da ETE.

A Conferência foi presidida pelo membro do Grupo CF/2017, vereador Miguel Caputo, e reuniu um público diverso formado também por alunos do Ensino Fundamental, Médio e Superior de escolas públicas e privadas da comunidade santa-ritense e de outras cidades da região além de alunos do curso de pós-graduação em Recursos Hídricos e em Meio Ambiente da Unifei – Universidade Federal de Engenharia de Itajubá. Marcaram presenças o Cônego Benedito Ramon Pinto Ferreira, pároco reitor do Santuário de Santa Rita de Cássia, José Norberto Dias, secretário de Administração e Recursos Humanos da Prefeitura de Santa Rita do Sapucaí bem como o engenheiro Edgardo Cáceres, conselheiro do EPR, Escritório de Projetos Regionais, criado para cooperar com entidades públicas e privadas comprometidas com o desenvolvimento sustentável e que atua como agente para o lançamento da Agenda 2030, que contempla os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, fixados pela ONU, em 2015.

Prof. Waldman apresentou dados da evolução do lixo mundial a um público atento e que correspondeu com várias perguntas à equipe de apoio coordenada pelas professoras da Escola Estadual Luiz Pinto de Almeida (Fotos: Pascom)

Autor de livros centrados basicamente nos campos do saber geográfico e antropológico, com destaque para temáticas sobre meio ambiente, cultura, educação, política e africanidade, o prof. Waldman apresentou em sua palestra uma oportunidade de reflexão para o futuro reservado ao planeta Terra quanto ao impacto do lixo urbano e do lixo eletrônico se medidas de preservação não forem tomadas de imediato. “O lixo se tornou uma calamidade planetária. Estamos caminhando a passos largos no sentido de concretizar a sombria profecia de que o mundo se transformaria num planeta lixo. Nesta conjuntura, recorde-se que o problema não se restringe aos chamados países ricos. No final das contas, o Brasil é um grande gerador de resíduos. É o maior responsável pela geração de refugos na América Latina. No plano mundial, ejeta 5,5% do total de sobras globais. Quanto ao lixo eletrônico, a situação é tão grave que o país se tornou o único a ser contemplado com um relatório específico pelo Banco Mundial, fato que, como brasileiro que sou, entendo como altamente constrangedor. Basta avaliar os números: O Brasil descarta nas lixeiras 96,8 mil toneladas de computadores, montante inferior somente ao gerado pela China; é campeão em lixo digital dentre todos os emergentes; quanto aos periféricos, para citar apenas as impressoras, o país encaminha 17,2 mil toneladas/ano deste equipamento para as lixeiras (só perde para a China); as médias brasileiras de e-waste são desproporcionais à economia e à posição brasileira na economia global: 0,5 kg/hab/ano de e-waste contra, por exemplo, 0,23 kg/hab/ano dos chineses”, destaca.

O prof. Waldman menciona ainda os impactos do lixo nos recursos hídricos. “Basta lembrar que o lixo insere o que os especialistas definem como “água embutida”, isto é, a água necessária para produzir bens e serviços. Para produzir um quilo de trigo, precisamos de 900 litros de água; um quilo de milho, 1.400 litros; um quilo de arroz, cerca de 1.910 litros. Um quilo de carne bovina pode implicar 100.000 litros de água. Para os produtos industrializados, a proporção de água requerida não é menor: 1 litro de gasolina corresponde a 10 litros de água; 1 kg de papel, 250 litros e 1 kg de alumínio, 100.000 litros do líquido. O pior é saber que as sobras, que contêm enorme quantidade de água, são em grande parte resultado do desperdício, transformando-se em chorume, efluente que tem efeitos devastadores nos recursos hídricos. O chorume tem potencial aproximadamente entre 120 e 200 vezes mais destrutivo que o esgoto. Por aí, pode-se imaginar que todos os recursos hídricos estão diretamente ameaçados pelo lixo”.

De acordo com o prof. Waldman, cuidar do lixo significa gerar emprego e renda. “Todavia, note-se que o problema pode ser a solução. Primeiro porque, neste cenário de crise que tem abalado o país, esta crise generalizada é uma excelente oportunidade de unir todos os segmentos sociais, sem distinção de partidos, credos religiosos, gênero ou raça, de unirmos as forças vivas da nacionalidade para enfrentarmos um problema que atinge a todos nós. Estamos todos no mesmo barco. Segundo, porque cuidar bem do lixo traz bons dividendos econômicos. Com a reciclagem, podemos, por exemplo, melhorar o equilíbrio fiscal das contas públicas, abaladas pela crise. Podemos gerar renda e trabalho para milhares de trabalhadores, incentivar o empreendedorismo e a inovação tecnológica. O Brasil tem solução. O lixo também”.

Cláudio Orlandi Lasso, membro da Pastoral da Comunicação do Santuário de Santa Rita de Cássia em Santa Rita do Sapucaí e um dos articuladores do Grupo CF/2017, ressalta que “o grupo se organizou e planejou um conjunto de aproximadamente 20 ações na cidade, sendo as primeiras de sensibilização e de engajamento das pessoas e entidades da comunidade. Estão na pauta dos trabalhos diversas ações para a preservação da água, através da revitalização do Projeto “Água Boa” para melhor cuidar das nossas nascentes, como a “barquejada”, ação planejada para a soltura de 10.000 alevinos e para a limpeza do Rio Sapucaí que corta o nosso município”.

Segundo Lasso, a Conferência Meio Ambiente, Lixo Urbano e Eletrônico foi fundamental para informar, instruir e incentivar cada um – como cidadão ou entidade – a fazer algo de imediato em prol do meio ambiente no micro bioma de Santa Rita do Sapucaí. “Com as orientações e indicações do Prof. Waldman, o Grupo CF/2017 espera desenvolver maior massa crítica nas pessoas, criando nelas uma nova cultura, propondo formas mais sustentáveis para produzir e consumir recursos, especialmente a água e a energia, preparando toda a comunidade para as próximas ações do grupo até atingir a meta final com a redução nos consumos de água e de energia e na produção de lixo em nossa comunidade. Um sonho em que toda residência e instalação industrial teriam um sistema de coleta de água de chuva e uma composteira para transformar o seu lixo orgânico em adubo e, em paralelo, trabalharia na comunidade a técnica dos 3R (Reduzir, Reaproveitar e Reciclar), com ações de coleta seletiva para destinação correta do lixo não orgânico”, concluiu.

Mais informações pelo telefone (35) 9 8811 6520 – e-mail claudio(@)ecoshower.com.br

Fonte: SECOM do Grupo CF/2017

Fotos: Pascom

 

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