Sustentabilidade: sistema que transforma o lixo em energia elétrica será implementado em Extrema

Um projeto inovador que prevê a produção de energia elétrica a partir do lixo está em fase de estudo em Extrema. Com a implementação, o município dará fim ao aterro sanitário e dará início a uma forma sustentável de produção de energia, indo ao encontro das demandas mundiais de sustentabilidade.

O município, com aproximadamente 35 mil habitantes, está na linha de frente no que concerne ao desenvolvimento sustentável. Extrema vem, ao longo dos anos, mostrando que é possível unir crescimento econômico e preservação do meio ambiente.

Isso acontece, de acordo com o Secretário Municipal de Meio Ambiente, Paulo Henrique Pereira, devido à preocupação imediata do poder público municipal em promover ações efetivas no âmbito da preservação ambiental em mesma medida que a cidade crescia e se desenvolvia.

Responsável pela área ambiental da cidade desde 1995, Paulinho, como é conhecido, acompanhou de perto as mudanças estruturais do município. “A partir de 95, nós já começamos a pensar na questão dos resíduos, em criar um programa de aterro sanitário e coleta seletiva”, comenta Paulinho.

Em 2000, a criação do aterro sanitário foi inovadora. Extrema foi o 6° município mineiro a colocar a ideia em prática, dando fim ao problemático depósito de lixo a céu aberto [lixão], caso ainda presente em diversas cidades brasileiras. Mais uma ação efetiva em relação ao tratamento mais sustentável dos resíduos urbanos, a coleta seletiva atua na cidade há 18 anos.

Reconhecendo a relevância destes projetos na história do município, a fase começa a ter um fim. “Estamos fechando esse ciclo do aterro sanitário e estamos partindo para um outro modelo: um sistema que transforma o resíduo em energia. Uma demanda e um desafio colocado para a sociedade, não só no Brasil, como no mundo, de produzir energia sustentável; Extrema está seguindo essa linha”, comenta Paulinho.

O sistema é uma tecnologia de ponta e está presente em pouquíssimos locais. Extrema seguirá o modelo instalado na cidade mineira de Boa Esperança. ”Nós sempre estamos pesquisando alternativas para darmos um destino mais adequado aos resíduos. Em uma dessas pesquisas, encontramos esse modelo, que está sendo desenvolvido em um município com praticamente a mesma população de Extrema, tornando-se um modelo viável para trazermos para cá”.

O sistema está hoje em fase de estudos. O objetivo é que as atividades da usina abranjam, além dos resíduos sólidos urbanos, os resíduos industriais. Para tanto, a administração municipal está em constante contato com os empreendedores para a realização de um projeto conjunto.

O modelo e a concepção do projeto já está definido. Os estudos seguem até o final deste mês, sendo que a partir daí têm início as medidas de compra de equipamentos e adequação do local. De acordo com o Secretário de Meio Ambiente, a previsão é que a instalação da usina esteja concluída no final de 2020.

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Paulinho é biólogo pós-graduado em Gerenciamento Ambiental pela USP e está a frente da atividade ambiental na cidade desde 1995

Outras medidas

Além deste, diversos outros projetos seguem a demanda mundial de sustentabilidade. Entre eles está o programa “Extrema no Clima”, que prevê, entre outras medidas a compensação da emissão de gases de efeito estufa em plantio de árvores. Paulinho explica que, desde o ano passado, com a aprovação do projeto na Câmara dos Vereadores, foi implantada a Política Municipal de Combate às Mudanças Climáticas.

Com a nova legislação, é realizado um cálculo da previsão de emissão de CO2 por uma indústria que se instala em Extrema. Com o cálculo, é solicitada à essa empresa a compensação em plantio de árvores, as quais promoverão o sequestro do CO2 e consequente diminuição do aquecimento global.

A medida é uma inovação e, de acordo com Paulinho, é a primeira experiência concreta no país a ser adotada neste sentido.

Ao mesmo tempo, o, já tradicional, Projeto Conservador das Águas segue realizando um importante trabalho de preservação de mananciais e de plantio de árvores. Neste ano, o programa alcança a marca de 2 milhões de árvores plantadas.

Com o êxito dos projetos em andamento, a cidade de Extrema tem compartilhado as experiências com os vizinhos da Serra da Mantiqueira. O programa Conservador da Mantiqueira é responsável por isso. Ele visa “uma troca de experiências, para formar uma rede de municípios para realizar projetos grandes no sentido de restauração florestal e de agricultura sustentável” ressalta Paulinho.

O projeto foi idealizado em Extrema e já conta com 50 municípios participantes numa permuta constante de vivências e compartilhamento de experiências.

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