Como os raios UV podem contribuir para o surgimento da catarata?

Usar óculos de sol é um dos meios mais fáceis e mais importantes das crianças e dos adultos protegerem sua saúde ocular. Não é apenas sobre moda e conforto, faça dos óculos escuros uma prioridade, especialmente se você tem olhos claros e trabalha ao ar livre

 

Um novo estudo oferece uma explicação detalhada sobre como os anos de exposição solar crônica podem aumentar o risco de catarata, turvação do cristalino, que normalmente ocorre com o envelhecimento. O estudo relaciona a exposição aos raios nocivos do sol a um processo natural do organismo chamado de estresse oxidativo.

É bem sabido que a exposição à radiação ultravioleta (UV) do sol pode causar danos à pele. No entanto, muitos estudos mostram também que a luz UV pode aumentar o risco de catarata e de outras doenças oculares.

Segundo Centurion, as células do cristalino contêm principalmente água e proteínas e não possuem as organelas (literalmente “minúsculos órgãos”) tipicamente encontradas em outras células. “Esta composição incomum do cristalino torna a lente transparente, para que ela seja capaz de transmitir luz, concentrando-a na retina, na parte posterior do olho. Quando a catarata se forma, as proteínas das células do cristalino mostram sinais de danos oxidativos: elas se aglutinam, espalhando a luz, ao invés de transmiti-la. Assim, na teoria, o estresse oxidativo é responsável por destruir as proteínas do cristalino, dando origem à catarata”, afirma o oftalmologista.

A teoria pode parecer simples, mas esse é um fenômeno complexo. As células mais velhas do cristalino não são apenas desprovidas de organelas, que mantêm a maioria das outras células vivas e funcionando, elas também podem receber pouco ou nenhum oxigênio. Então, como elas podem sofrer com o estresse oxidativo?

Estudos anteriores têm apoiado essa teoria. Mas a equipe de Case Western revelou detalhadamente como essas alterações químicas são induzidas no cristalino pela luz UV.

Muitos estudos clínicos têm apontado que a exposição à luz UV é um fator de risco para a catarata relacionada à idade.

Até agora, os raios UV já tinham papel definido na formação da catarata, mas o modo de processamento desse fenômeno ainda não era completamente conhecido. Os autores do estudo testaram os efeitos da luz UVA nas proteínas e nos produtos químicos encontrados nas células do cristalino. Eles descobriram que, na ausência de oxigênio, a luz UVA pode desencadear uma reação em cadeia que começa com derivados de aminoácidos chamados kynurenines e termina com a glicação de proteínas no cristalino. Em trabalhos anteriores, eles também mostraram que cobaias (ratos) geneticamente modificadas para produzir um excesso de kynurenines desenvolveram catarata aos 3 meses de idade. No estudo atual, quando o cristalino das cobaias (ratos) foi exposto a 2 horas de luz UVA intensa, ele acumulou danos: proteínas glicadas.

O estudo mostra como a luz UV pode promover o desenvolvimento da catarata e reitera a importância do uso dos óculos de sol. Os pesquisadores também descobriram que um antioxidante natural nos olhos e em outros tecidos, chamado glutationa, oferece pouca proteção contra os efeitos nocivos dos raios UV. Vários estudos clínicos testaram o potencial de suplementos antioxidantes para prevenir ou retardar a catarata relacionada à idade, com resultados mistos.

Fonte: Ascom – IMO

Pin It

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>