Produtores rurais do interior testam novo modelo de manejo de pastagem para conservar água no Sistema Cantareira

 

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Pequenos proprietários rurais dos municípios de Joanópolis -SP, Piracaia- SP, Itapeva-MG e Extrema – MG experimentam um novo modelo de pastagem ecológica, que prevê a recuperação do solo degradado, devolvendo a ele sua função de absorver água, além de garantir benefícios econômicos para o produtor.

O Sítio dos Compadres, localizado na cidade de Joanópolis, foi o primeiro a receber orientações e intervenções da equipe de pesquisadores do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, para desenvolver a nova técnica de pastoreio. O proprietário aceitou o desafio e abriu as porteiras do sítio para receber as modificações em seu pasto, que devido à acentuada declividade sofria com enxurradas em períodos de chuva. “Minha maior preocupação era proteger as encostas, já que minha propriedade fica localizada em um vale, sofria constantes enxurradas, e isso, além de me gerar gastos, comprometia as nascentes que tenho aqui”, comenta José Bragion.

A iniciativa é do projeto “Semeando Água”, patrocinado pela Petrobras, e executado pelo IPÊ. O projeto vem influenciando novas práticas de uso do solo e restauração florestal em municípios que compõem o Sistema Cantareira de abastecimento.  Junto com os proprietários rurais, os técnicos implantam o sistema que é conhecido, tecnicamente, como Pastoreio Rotacional Voisin (lê-se “voasan”) que prevê um equilíbrio entre o solo, a pastagem e o gado. Na prática, o pasto é dividido em parcelas de forma a possibilitar um manejo em que se atenda tanto as necessidades do capim, como as do gado e do solo.

Com a adoção do manejo ecológico de pastagem o proprietário José Bragion observa, mesmo com a grave seca, os primeiros resultados. “Mesmo sem chover por aqui há meses, já senti diferença em meu pasto. Em áreas que antes estavam expostas hoje passaram a ficar cobertas por capim, isso só pelo fato do solo passar por períodos de descanso”, conta ele.

Propostas como essa atendem à necessidade por medidas conservacionistas no Sistema Cantareira. Para se ter uma ideia da urgência em se conservar a região, um diagnóstico realizado pelo IPÊ aponta que 47% das suas Áreas de Preservação Permanentes (APPs) estão sendo utilizadas de maneira inadequada, ou seja, não estão cobertas por floresta nativa que garanta as condições ecológicas necessárias para a produção e manutenção dos recursos hídricos na região, como é necessário por lei.

Visto a gravidade do problema, o papel de quem vive na região e utiliza o solo para a produção é ainda mais importante para a conservação da água. Segundo o coordenador do projeto “Semeando Água” Alexandre Uezu a conservação dos recursos hídricos no Sistema Cantareira não depende apenas de ações voltadas às áreas naturais como Unidades de Conservação, Reservas Legais e APPs, mas é influenciada também pelo manejo nas áreas produtivas. “Hoje cerca de 40% da região é formada por pastagem degradada, ou seja, podemos supor que proporcionalmente cerca de 40% da água do Sistema passa por esse tipo de ocupação. Por isso é urgente o manejo adequado dessas áreas. Uma alternativa é o manejo ecológico da pastagem que concilia ganhos na produtividade e o no bem estar animal com a melhoria das condições ambientais na propriedade, agindo especialmente na diminuição da sedimentação e no aumento do armazenamento da água nos lençóis freáticos” explica ele.

Outra fazenda, a Cravorana, localizada no município de Piracaia, também recebeu orientações e adotou o manejo ecológico de pastagem. Lá, os proprietários parceiros acreditaram tanto no novo modelo, que aplicaram a técnica em 74 hectares de pasto em outra fazenda da família, localizada em Goiás. “É uma sensação boa trazer uma nova tecnologia para a fazenda aqui de Goiás e poder compartilhar com nossos empregados, vizinhos e alunos de Agronomia e Zootecnia. Estamos iniciando uma nova etapa na região! Nossa expectativa é tornar nossas pastagens sustentáveis e nossas Áreas de Preservação Permanentes protegidas e reflorestadas”, comenta a proprietária Patrícia Sampaio.

O projeto Semeando Água prevê a entrega de seis propriedades modelos em cidades que abrangem o Sistema Cantareira. Tais unidades serão disseminadoras de práticas mais sustentáveis de utilização de uso do solo e da importância das APPs para a conservação da água que abastece o Sistema.

 

Fonte: ASCOM Projeto Ipê

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